Crédito deve perder força no Brasil com juros altos e economia mais lenta, diz Banco Central

Por Redação Info Dinheiro 5 Min de leitura

O crédito no Brasil deve avançar em ritmo mais moderado nos próximos anos, em um cenário marcado por juros elevados, inflação acima da meta e perda de velocidade da atividade econômica. A avaliação consta do Relatório de Política Monetária do Banco Central, divulgado em 24 de setembro de 2026, que também revisou as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo o documento, a economia brasileira deve crescer 1,8% em 2026 e 1,4% em 2027. As estimativas representam uma desaceleração em relação às expansões de 3,4% registradas em 2024 e de 2,3% em 2025. Para o Banco Central, a perda de ritmo ocorre de forma disseminada e alcança setores como indústria, serviços, consumo e investimentos.

O relatório estima ainda inflação de 4,9% em 2026, acima da meta central de 3%. Esse ambiente ajuda a explicar a manutenção de uma política monetária restritiva, com efeitos sobre o custo dos empréstimos e sobre a disposição de famílias e empresas para contratar novas operações. A combinação entre crédito mais caro e maior cautela tende a reduzir a velocidade de expansão do mercado.

Juros altos reduzem espaço para novas operações

De acordo com a ata da 281ª reunião do Copom, realizada em 15 e 16 de setembro de 2026, já existem sinais de desaceleração no crédito com recursos livres. Nessa modalidade, as instituições financeiras definem as condições das operações, como taxas e prazos, considerando fatores de mercado, risco do cliente e custos de captação.

O efeito dos juros elevados é especialmente relevante nas linhas de prazo mais longo. Para consumidores, isso pode encarecer financiamentos e empréstimos parcelados. Para empresas, a consequência pode aparecer no custo do capital de giro, na contratação de recursos para expansão e na capacidade de financiar estoques ou novos projetos. A desaceleração, portanto, não depende apenas da demanda por crédito, mas também das condições de oferta.

Em um cenário de inflação persistente e expectativas desancoradas, bancos tendem a avaliar com mais atenção a capacidade de pagamento dos tomadores. Essa postura pode resultar em maior seletividade, prazos mais restritos ou exigência de garantias, embora as condições variem conforme a instituição, o tipo de operação e o perfil de risco do cliente. O Banco Central não apresenta, na pauta, uma regra única aplicável a todos os contratos.

Linhas direcionadas mantêm comportamento diferente

A ata do Copom destaca que a desaceleração não ocorre de maneira uniforme em todas as modalidades. Enquanto o crédito com recursos livres mostra perda de ritmo, linhas direcionadas continuam avançando. Entre os exemplos citados estão o crédito imobiliário e operações para empresas que contam com apoio de fundos garantidores.

As linhas direcionadas possuem características próprias e podem seguir dinâmica diferente daquela observada nos empréstimos definidos livremente pelos bancos. Por isso, o desempenho positivo de determinadas modalidades não elimina a tendência geral de moderação apontada pelo Banco Central. O comportamento do mercado dependerá da evolução dos juros, da inflação, da renda, da atividade econômica e da percepção de risco.

Impactos para consumidores e empresas

Para as famílias, a combinação de crédito mais caro e crescimento econômico menor pode exigir maior cuidado antes da contratação de um empréstimo ou financiamento. O custo total da operação, o prazo e o comprometimento da renda são elementos que ganham importância quando as taxas permanecem elevadas. A desaceleração do crédito também pode reduzir o consumo financiado e alterar decisões de compra de bens de maior valor.

Nas empresas, o ambiente pode influenciar decisões de investimento, contratação de capital de giro e expansão. Negócios dependentes de financiamento tendem a sentir mais rapidamente o custo das condições financeiras restritivas. Ao mesmo tempo, a perda de velocidade da economia pode afetar vendas e receitas, aumentando a necessidade de planejamento do fluxo de caixa e de avaliação das condições de cada operação.

O relatório do Banco Central não indica uma interrupção do crédito no país, mas aponta um crescimento mais contido. A tendência é resultado da interação entre política monetária, inflação, atividade econômica e condições de financiamento. Com o PIB projetado em 1,8% em 2026 e 1,4% em 2027, o cenário reforça a expectativa de uma economia menos aquecida e de expansão mais moderada das operações bancárias.

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