O que a agronomia ensina sobre decidir com incerteza?

Por Laura Evermere 5 Min de leitura
Alfredo Moreira Filho

Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Viçosa, Alfredo Moreira Filho atuou por anos em condições que nenhum modelo de gestão de riscos consegue capturar completamente: a agricultura amazônica dos anos 1970, onde solo, clima, cheia e seca criavam cenários imprevisíveis que exigiam decisão sem a segurança de informação completa.

Decidir sem certeza é o estado normal da agronomia

Um agrônomo que planta não sabe com precisão como a chuva vai se distribuir nos próximos meses, qual será a temperatura média durante o período de floração ou se alguma praga vai surgir entre o plantio e a colheita. A incerteza não é a exceção na agricultura, é a condição normal de qualquer decisão tomada nesse ambiente.

Essa familiaridade forçada com a incerteza desenvolve, ao longo do tempo, uma habilidade específica: a capacidade de tomar decisões baseadas em evidências parciais, ajustar o plano ao longo do processo e aceitar que parte do resultado ficará fora do controle de quem planejou, sem que isso paralise a tomada de decisão inicial.

A diferença entre incerteza e risco

Risco é quando se conhece a distribuição de probabilidades dos resultados possíveis. Incerteza é quando nem isso se sabe. A engenharia agronômica opera predominantemente no segundo território, especialmente em regiões como a Amazônia, onde as bases de dados históricas eram escassas e as condições locais diferem radicalmente de qualquer referência disponível.

Trabalhar nesse ambiente ensina que a ausência de certeza não é argumento suficiente para adiar decisões indefinidamente. Em uma lavoura, a janela de plantio fecha. O rio sobe. A estação muda. Quem espera por certeza completa frequentemente perde a oportunidade de agir no momento em que a ação ainda faria diferença real.

Por que essa habilidade se transfere para qualquer ambiente de negócios?

Ambientes de negócios operam com graus variados de incerteza, e a capacidade de decidir bem nessas condições é um dos atributos mais valorizados em qualquer posição de gestão. A formação técnica em áreas como a agronomia desenvolve essa habilidade de forma prática e concreta, porque as consequências de decisões ruins aparecem de forma visível e rápida.

Alfredo Moreira Filho, ao fazer a transição da engenharia agronômica para a gestão empresarial, carregou consigo uma leitura calibrada sobre quando agir apesar da incerteza e quando coletar mais informação antes de decidir, distinção que a maioria dos modelos de gestão ensina de forma teórica, mas que a agronomia praticada em campo ensina de forma inevitavelmente concreta.

O que a agronomia amazônica ensinava de forma acelerada?

A Amazônia amplificava os desafios da incerteza porque os dados disponíveis eram ainda mais escassos do que em regiões com agricultura mais estabelecida. Espécies locais, comportamento dos rios, dinâmica de solos de várzea, produção de culturas tropicais específicas: tudo exigia aprendizado em campo, sem a segurança de referências testadas em condições semelhantes.

Quem trabalhou nesse ambiente por anos, como Alfredo Moreira Filho, ao longo de sua atuação técnica no Amazonas, desenvolveu tolerância à ambiguidade que vai além da formação técnica convencional: a capacidade de agir de forma competente em situações onde o manual de boas práticas simplesmente não existe ainda para aquele contexto específico.

O que gestores de outros setores deveriam aprender com agrônomos?

Gestores de outros setores frequentemente paralisam diante de informação incompleta, esperando dados adicionais antes de tomar decisões que já deveriam ter sido tomadas. A formação em engenharia agronômica oferece uma perspectiva diferente: a de que decidir com o que se tem disponível é parte do trabalho, não uma concessão a ser evitada.

A incerteza não é obstáculo para a ação, mas a condição dentro da qual a ação precisa acontecer de forma responsável e bem fundamentada, mesmo sem todos os dados disponíveis. Essa é a perspectiva que Alfredo Moreira Filho, com formação em agronomia e experiência em gestão de negócios, aplica em qualquer contexto profissional.

 

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