Empresas pagam mais para quem domina finanças e IA: veja as habilidades valorizadas em 2026

Por Laura Evermere 9 Min de leitura

Guia Salarial 2026 mostra que 48% dos gestores de Finanças e Contabilidade estão dispostos a aumentar a remuneração de candidatos com conhecimentos especializados.

Saber interpretar um balanço, montar projeções e controlar custos continua essencial para construir uma carreira em finanças. Em 2026, porém, as empresas brasileiras passaram a procurar uma combinação mais ampla de competências: conhecimento financeiro, capacidade de analisar dados e domínio de ferramentas de inteligência artificial. Essa mistura começa inclusive a influenciar quanto determinados profissionais conseguem negociar de salário.

O Guia Salarial 2026 da Robert Half mostra que 48% dos gestores de contratação de Finanças e Contabilidade no Brasil estão dispostos a oferecer salários maiores para candidatos que possuem certificações ou conhecimentos especializados. Entre as competências associadas a remunerações acima da média estão aplicações de IA generativa, conhecimento da reforma tributária, análise financeira e de negócios, idiomas, IA aplicada à elaboração de relatórios, Excel avançado, modelagem financeira e análise de dados. (Robert Half)

A tecnologia também aparece entre as habilidades procuradas diretamente nos processos seletivos. O levantamento destaca análise de dados, análise financeira e de negócios e domínio de agentes autônomos de inteligência artificial entre as competências técnicas mais exigidas para profissionais da área. A mudança indica que saber utilizar tecnologia deixou de ser uma característica restrita aos departamentos de TI e passou a fazer parte do perfil procurado para diferentes funções financeiras. (Robert Half)

O cenário ocorre ao mesmo tempo em que empresas planejam novas contratações. Segundo a Robert Half, 38% das companhias pretendem ampliar suas equipes de Finanças e Contabilidade. A implementação da reforma tributária é apontada como um dos fatores que impulsionam a procura por profissionais especializados, ao lado da automação, da busca por eficiência operacional e da necessidade de transformar informações financeiras em decisões de negócio. (Robert Half)

Por que inteligência artificial passou a pesar no salário?

Departamentos financeiros lidam com grandes volumes de informações: receitas, despesas, projeções, impostos, fluxo de caixa, indicadores de desempenho e diferentes cenários para o negócio. Ferramentas de inteligência artificial podem auxiliar na organização e análise desses dados, automatizar determinadas tarefas e acelerar a preparação de informações usadas pelas equipes.

É nesse contexto que a IA generativa aparece entre as competências relacionadas a salários acima da média no levantamento da Robert Half. A consultoria também identifica agentes autônomos de IA entre as habilidades técnicas procuradas pelas empresas. Esses sistemas podem executar sequências de tarefas com maior grau de autonomia, abrindo espaço para novas formas de automatização dentro dos departamentos financeiros. (Robert Half)

Isso não significa que conhecimento financeiro esteja sendo substituído pela tecnologia. O próprio levantamento coloca análise financeira e de negócios simultaneamente entre as habilidades técnicas mais exigidas e entre aquelas relacionadas a remunerações superiores. O perfil valorizado, portanto, combina conhecimento tradicional de finanças com capacidade de utilizar novas ferramentas para produzir análises e apoiar decisões. (Robert Half)

Representantes da Robert Half também destacam que a procura por conhecimento de IA não está limitada às carreiras tecnológicas. Em uma discussão da consultoria sobre o Guia Salarial 2026, especialistas apontaram que profissionais de áreas como finanças, recursos humanos, jurídico e engenharia estão sendo pressionados a entender ferramentas de inteligência artificial e análise de dados. A escassez dessas competências pode ampliar o poder de negociação de candidatos que conseguem demonstrá-las de maneira prática. (Robert Half)

Quais habilidades financeiras estão mais valorizadas em 2026?

Para quem pretende crescer na área, análise financeira e de negócios aparece como uma das competências centrais. O profissional precisa ir além da elaboração de planilhas: empresas procuram pessoas capazes de interpretar indicadores, identificar tendências e explicar como mudanças financeiras podem afetar decisões de investimento, orçamento ou expansão.

A análise de dados também ganhou importância. Departamentos financeiros utilizam volumes crescentes de informações e ferramentas automatizadas, aumentando a necessidade de profissionais capazes de transformar dados em conclusões compreensíveis para gestores. Excel avançado e modelagem financeira continuam relevantes, mas passam a conviver com novas ferramentas de automação e inteligência artificial. (Robert Half)

Outro conhecimento valorizado em 2026 está relacionado à reforma tributária. A Robert Half afirma que sua implementação está aumentando a procura por especialistas capazes de adaptar processos e garantir conformidade. Entre os cargos destacados pela consultoria estão analista contábil/fiscal, controller, coordenador contábil/fiscal, gerente contábil/fiscal e gerente financeiro. (Robert Half)

Idiomas completam esse conjunto de diferenciais. O guia afirma que o inglês já é obrigatório em muitas operações e inclui idiomas entre as competências relacionadas a salários superiores. Para profissionais que atuam em multinacionais, mercado de capitais ou empresas com operações internacionais, a combinação de finanças, tecnologia e comunicação em outro idioma pode ampliar as possibilidades de atuação. (Robert Half)

Como se preparar para as novas vagas em finanças?

O primeiro passo é evitar tratar inteligência artificial como uma habilidade isolada. Saber utilizar uma ferramenta específica pode ajudar, mas as empresas continuam procurando profissionais capazes de compreender o negócio. Para quem trabalha com FP&A, controladoria ou análise financeira, por exemplo, o diferencial está em conseguir utilizar automação e IA para acelerar tarefas sem perder a capacidade de validar os resultados e interpretar seus efeitos.

Certificações e especializações também podem influenciar a negociação. O dado de que 48% dos gestores estão dispostos a pagar mais por conhecimentos especializados mostra que qualificações adicionais podem ser relevantes, embora não representem garantia automática de aumento salarial. Experiência, localização, porte da empresa, responsabilidades do cargo e demanda por determinada função continuam influenciando a remuneração. (Robert Half)

Os números salariais da própria Robert Half ajudam a ilustrar a diferença entre níveis de qualificação. No mercado financeiro, um Analista de Finanças aparece nacionalmente entre R$ 10,3 mil no 25º percentil e R$ 15,8 mil no 75º percentil. Para Associate de Finanças, a faixa indicada vai de R$ 15,1 mil a R$ 23,2 mil. O guia explica que o 75º percentil representa profissionais cujo valor para a organização vai além das atividades normais da função e que possuem qualificações diferenciadas, especializações ou certificações. Os números são referências de salários iniciais e não incluem bônus ou benefícios. (Robert Half)

Para quem está planejando a carreira, o cenário de 2026 aponta, portanto, para uma combinação de competências. Finanças tradicionais permanecem na base, enquanto IA generativa, agentes de IA, análise de dados, modelagem financeira, conhecimento tributário e idiomas passam a funcionar como diferenciais. A tecnologia não elimina a necessidade do especialista financeiro; ela aumenta a procura por quem consegue compreender os números, utilizar novas ferramentas e transformar os resultados em decisões para o negócio. (Robert Half)

Fontes: Robert Half — Guia Salarial 2026 para Finanças e Contabilidade · Robert Half — carreiras e habilidades em alta em 2026 · Robert Half — metodologia e tendências do Guia Salarial 2026 · Exame — empresas pagam mais por especialização financeira

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