Banco Central aperta regras e pode tirar Pix de bancos que falharem na segurança

Por Diego Velázquez 6 Min de leitura

Instituições que não reforçarem a proteção digital podem perder a função de transferências, medida chega após onda de fraudes bilionárias no país.

O Pix se tornou parte do dia a dia de quase todo brasileiro, mas essa popularidade também atraiu criminosos cada vez mais organizados. Diante desse cenário, o Banco Central decidiu apertar o cerco após uma onda crescente de ataques cibernéticos contra os usuários do sistema. A medida chega em um momento delicado para o setor financeiro, já que o volume de fraudes envolvendo transferências instantâneas segue em alta em todo o país. Para quem usa o Pix todos os dias, entender essas mudanças ajuda não só a se proteger, mas também a saber exatamente o que cobrar do próprio banco quando algo sai do combinado. FDR

O que muda na fiscalização dos bancos

A partir de maio deste ano, o aplicativo do banco pode ser proibido de fazer e receber transferências pelo Pix caso a instituição não reforce a segurança digital, o que na prática retira a função da tela do celular do cliente. A exigência recai sobre todas as instituições participantes do arranjo, dos bancos tradicionais às contas digitais menores, sem exceção de porte. FDR

O Banco Central passou a exigir que todas as instituições financeiras apresentem um mapa detalhado de tecnologia e proteção cibernética, documento que precisa mostrar de forma clara como cada empresa protege os dados de seus clientes. Quem for flagrado com falhas nessa blindagem está sujeito a sanções que vão do corte de horário de funcionamento até a suspensão completa do Pix. FDR

A régua mais rígida tem uma explicação direta: o volume de ataques virtuais contra o sistema financeiro brasileiro saltou quase 30% nos últimos anos, o que fez soar um alerta entre reguladores e bancos. O prejuízo estimado em fraudes já passa de R$ 1,5 bilhão, valor que ajuda a justificar por que a fiscalização deixou de ser recomendação e virou obrigação. FDR

Como funciona o MED 2.0 contra golpes

Além da fiscalização mais dura sobre os bancos, também ficou obrigatória desde fevereiro uma nova versão do Mecanismo Especial de Devolução, batizada de MED 2.0. A principal novidade está no chamado bloqueio em cascata, recurso que muda a forma como o dinheiro roubado é rastreado dentro do sistema bancário.

Antes, quando alguém caía em um golpe, os bancos só conseguiam travar o valor na primeira conta que o recebia. Agora, o sistema consegue bloquear também as contas seguintes para onde o dinheiro tenha sido repassado, o que dificulta bastante a ação de quadrilhas que costumam pulverizar valores roubados em várias contas para escapar da recuperação. Super Rádio Tupi

Na prática, isso aumenta as chances de reaver ao menos parte do prejuízo. Cada instituição que aparece na trilha da transação suspeita precisa analisar o caso, bloquear valores compatíveis e colaborar com a apuração, processo que pode levar até 11 dias corridos. O prazo é mais curto do que o praticado anteriormente, o que já é visto como avanço por quem lida com esse tipo de ocorrência no dia a dia. O Antagonista

O que o consumidor precisa fazer para se proteger

Mesmo com esse reforço regulatório, a prevenção continua sendo a defesa mais eficaz contra golpes. Fraudes como o do Pix agendado, em que o criminoso mostra um comprovante de transferência futura como se já estivesse concluída, seguem fazendo vítimas todos os dias em negociações informais e vendas pela internet.

Desconfiar de pressa excessiva na negociação, evitar clicar em links recebidos por mensagem e sempre conferir o crédito direto no extrato antes de liberar qualquer produto ou serviço são cuidados simples, mas que reduzem bastante o risco de prejuízo. Golpistas costumam explorar justamente a pressa e a distração de quem está do outro lado da tela.

Em caso de suspeita de fraude, o caminho recomendado é acionar o banco imediatamente pelo aplicativo, telefone ou agência, solicitando a ativação do mecanismo de devolução. Registrar boletim de ocorrência também é importante, já que o documento ajuda a formalizar a denúncia e dá suporte às investigações conduzidas pelas autoridades.

As mudanças mostram que o Pix segue em ajuste constante, equilibrando praticidade e segurança à medida que os golpes evoluem junto com a tecnologia usada pelos criminosos. Para o consumidor, o recado é direto: manter o aplicativo do banco atualizado, prestar atenção a qualquer aviso de segurança e não hesitar em contestar uma transação suspeita o quanto antes seguem sendo os passos mais simples e mais eficazes para usar o sistema com tranquilidade.

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