Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, a possibilidade de identificar alterações na saúde antes que elas se tornem perceptíveis está ganhando espaço com o desenvolvimento de tecnologias baseadas em inteligência artificial. No acompanhamento da população idosa, sistemas capazes de analisar padrões de movimento, sono e atividades cotidianas podem contribuir para reconhecer mudanças discretas relacionadas à capacidade funcional. Essas ferramentas despertam interesse por seu potencial de identificar sinais de risco antes que determinadas dificuldades comprometam a independência do indivíduo.
Saiba mais a seguir!
Como a inteligência artificial pode identificar mudanças precoces? Confira com o Doutor Yuri Silva Portela
Sistemas de inteligência artificial podem analisar informações coletadas por sensores, dispositivos vestíveis e equipamentos de monitoramento doméstico. Essas tecnologias conseguem registrar determinados aspectos da rotina, como frequência de deslocamentos, períodos de atividade e alterações nos padrões de sono. A partir desses registros, algoritmos podem identificar comportamentos diferentes daqueles normalmente apresentados pelo indivíduo.
Imagine uma pessoa idosa que costuma caminhar diariamente pela residência, preparar refeições e manter horários relativamente regulares. Caso os sensores identifiquem uma redução progressiva dos deslocamentos ou mudanças significativas na realização dessas atividades, o sistema poderá sinalizar a necessidade de uma avaliação. Entretanto, essas informações não permitem determinar, isoladamente, a existência de uma doença.
Na perspectiva da geriatria, área de atuação do Doutor Yuri Silva Portela, o interesse dessas ferramentas está relacionado à possibilidade de acompanhar mudanças funcionais ao longo do tempo. A comparação com o comportamento habitual do próprio paciente pode oferecer informações mais relevantes do que a utilização exclusiva de padrões gerais, especialmente porque pessoas da mesma idade apresentam capacidades físicas e rotinas bastante diferentes.

A tecnologia consegue prever a perda de autonomia?
A autonomia envolve a capacidade de tomar decisões sobre a própria vida, enquanto a independência funcional está relacionada à realização de atividades sem auxílio. Embora esses conceitos estejam associados, o Doutor Yuri Silva Portela informa que não representam exatamente a mesma condição. Uma pessoa pode precisar de ajuda para determinadas tarefas e continuar plenamente capaz de decidir sobre seus cuidados, sua rotina e suas preferências.
Atualmente, ferramentas baseadas em inteligência artificial são investigadas por sua capacidade de identificar alterações relacionadas à mobilidade, ao equilíbrio e ao desempenho de atividades cotidianas. Uma redução gradual na velocidade da caminhada, por exemplo, pode representar um sinal de mudança funcional que merece atenção. Entretanto, prever com precisão quando alguém perderá independência continua sendo um desafio, pois diferentes fatores influenciam esse processo.
Quais são os riscos de monitorar idosos continuamente?
O acompanhamento tecnológico pode oferecer benefícios, mas também levanta questões relacionadas à privacidade e à liberdade individual. Sensores instalados em residências e dispositivos capazes de registrar atividades diárias produzem informações sobre hábitos pessoais. A utilização desses dados exige transparência, medidas de segurança e respeito ao consentimento da pessoa monitorada.
Outro desafio envolve a interpretação dos alertas. Uma redução na movimentação pode estar relacionada a problemas de saúde, mas também pode ocorrer porque o idoso decidiu descansar, recebeu visitas ou modificou temporariamente sua rotina. Quando essas circunstâncias não são consideradas, sistemas automatizados podem gerar notificações desnecessárias e provocar preocupação entre familiares.
Para o Doutor Yuri Silva Portela, cuja formação está relacionada ao cuidado geriátrico, essa discussão permite contextualizar a importância da avaliação clínica individualizada. A tecnologia pode contribuir para reconhecer mudanças relevantes, mas não substitui a observação profissional, o diálogo com o paciente e a compreensão de suas condições de vida. Afinal, proteger a saúde não deve significar eliminar a privacidade ou restringir escolhas legítimas.