Projeto da ONG Gerando Falcões auxilia jovens do Alto Tietê a se qualificarem para o mercado de trabalho

By Tyler Benovetti 6 Min Read

Cerca de 200 jovens que vivem em comunidades do Alto Tietê estão tendo a chance de ter renda própria e mais que isso: de conquistar uma profissão. Arruma, atende, fecha a venda. De segunda a sábado, sete horas por dia. Esta é a rotina do vendedor Antony Guilherme dos Santos Silva.

“Eu chego aqui às 9h, aí abro a loja. Arrumo, organizo, atendo cliente, opero no caixa. E tudo mais um pouco. {pergunta do repórter} Aqui é movimentado então? Sim, aqui o movimento é das 9h até as 18h, a partir de quando abre até quando fecha. {pergunta do repórter} Você gosta de trabalhar com isso aqui? Sim, aqui eu me sinto em casa, segunda casa”, disse o vendedor.

A história dele com as vendas começou com um estágio. Atualmente com 16 anos, já está com a carteira assinada e foi contratado há sete meses. E pensar que ele tinha outros planos para a vida.

“Eu ia ser bombeiro, que iria cursar bombeiro militar, mas aí encontrei aqui como assessor de vendas, gostei e estou indo. Hoje, eu quero ter minha casa, meu carro. Mas também quero cursar agora TI”.

A forma de pensar do Antony mudou há mais ou menos um ano e meio. Ele mora em Poá e um dia foi convidado para visitar uma iniciativa que dá oportunidades para jovens que vivem em comunidades carentes da cidade. O projeto é da ONG Gerando Falcões e está indo para o segundo ano de existência.

Um total de 160 jovens já passaram pelo programa de formação do bazar no projeto. Eles passam um semestre estudando. Além do varejo, tem aulas de tecnologia e empreendedorismo. Mas é somente no final do curso que eles decidem o caminho que querem trilhar na vida profissional.

Além da loja em Poá, o projeto possui mais três bazares, sendo dois em São Paulo e um em Suzano, aberto recentemente.

“Uma estratégia de combate à pobreza, de utilizar todo o estoque de bens parados em casa das pessoas. A gente transforma esse estoque em prosperidade social, em oportunidade. Porque no fim você combate desigualdade social com oportunidade. Então, a Gerando Falcões, que está em mais de 4 mil favelas, utiliza das vendas e do resultado econômico financeiro desse bazar que chegou aqui em Suzano para transformar vidas, inclusive em periferias e favelas de Suzano também. Isso aqui é uma escola onde tem jovens de periferias e favelas que estão em formação profissional com uma bolsa escola e depois eles são inseridos no varejo brasileiro para poder gerar renda, para poder modificar as suas vidas. Então, o conceito do bazar é que ele seja uma plataforma também de formação profissional de jovens de periferias e favelas para o mercado brasileiro”, explicou Eduardo Lyra, fundador da ONG.

 

Como a ideia é treinar esse pessoal para o mercado de trabalho, o bazar acaba sendo uma sala de aula. Jéssica Magalhães, por exemplo, dá uma força para quem está chegando agora.

“Um desafio novo para mim, porque eu vou estar instruindo jovens no mercado de trabalho. Vai ser uma experiência nova para eles, como que é abordagem, como que é trabalhar com produto, peças com etiqueta, sem etiqueta, qual a função e rotina deles. Então, eu vou estar auxiliando eles também. Então, isso é muito bom. E depois eu tenho que ainda ajudar e dar assistência no caixa, colaborar com o caixa. Ser um suporte na loja, um pilar na loja. Isso me deixa muito feliz”, disse a vendedora Jéssica Magalhães.

Emanuele Bernardo, que mora em Itaquaquecetuba, participou do projeto bazar, mora em Itaquaquecetuba e está trabalhando como estagiária no espaço. Ela é só gratidão pela oportunidade que está tendo. Uma chance de ter um futuro bem melhor.

“Ter uma oportunidade de emprego e pelo conhecimento. A gente que começa de baixo é como a gente aprende a ter escadas na vida. Então, a gente começa e vai crescendo”, contou a estagiária.

Os alunos que fazem parte das oficinas de qualificação profissional, alguns deles são selecionados para vir para o bazar escola. Então, eles vêm para o bazar escola, ficam um período de seis meses sendo treinados e capacitados na prática. E também na inteligência emocional junto com o nosso projeto na Falcons. E depois disso a gente trabalha para tentar colocar esses jovens no mercado de trabalho. A geração de renda para as famílias é muito irrelevante e importante, é o que traz de fato a transformação. Além de você ampliar a possibilidade para eles. Porque às vezes falta o sonho, a esperança”, disse Mayara Lyra, co-fundadora da ONG.

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