Vacina de Oxford/AstraZeneca sobra na Europa, enquanto variantes avançam

Frasco da vacina Oxford/AstraZeneca contra Covid-19 em hospital do Rio de Janeiro 27/01/2021 REUTERS/Pilar Olivares

Há apenas algumas semanas, a União Europeia pressionava a AstraZeneca para a entrega de vacinas contra a Covid-19. Agora, menos de 10% das doses distribuídas na Alemanha foram administradas nos primeiros dias da campanha de vacinação, e alguns profissionais de saúde dizem que estão preocupados com os efeitos colaterais.

A Alemanha não está sozinha: alguns profissionais de saúde franceses também pressionam para obter vacinas da Moderna, Pfizer e BioNTech em vez do imunizante da Astra. A relutância segue a disputa no mês passado, quando países da UE exigiam sua parte das remessas da AstraZeneca em meio ao atraso das entregas.

O ritmo de vacinação na UE é muito mais lento do que nos EUA e no Reino Unido, e será impossível alcançá-los no curto prazo a menos que as pessoas estejam dispostas a tomar os 300 milhões de doses que o bloco encomendou da AstraZeneca. Reportagens na mídia sobre efeitos colaterais fortes levou o Ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, a dizer na quarta-feira que o imunizante é “seguro e eficaz” e que ele mesmo não hesitaria em tomar a vacina.

Spahn, de 40 anos, provavelmente não receberá nenhuma vacina por enquanto, já que a Alemanha prioriza pessoas idosas e profissionais de saúde. A UE anunciou medidas na quarta-feira para reforçar o fornecimento de vacinas com a confirmação de novos pedidos para a Pfizer e BioNTech, bem como para a Moderna. Enquanto isso, a variante mais contagiosa com origem no Reino Unido se espalha e agora responde por mais de 20% dos novos casos na Alemanha.

Em um posto médico em Dortmund, 25% das 300 pessoas vacinadas na semana passada com a vacina da AstraZeneca relataram que não se sentiam bem para trabalhar depois, informou um jornal local, citando documentos internos do corpo de bombeiros.

“É claro que estamos examinando os relatos de efeitos colaterais e levando isso muito a sério”, disse Spahn a repórteres em Berlim. “Ao mesmo tempo, é muito importante diferenciar entre a reação esperada à vacinação e efeitos colaterais não esperados.”

Um porta-voz da AstraZeneca disse que a farmacêutica não recebeu relatos de reações que não se encaixassem nas evidências coletadas durante os ensaios clínicos e repetiu que não houve eventos adversos graves associados ao produto. Os efeitos colaterais documentados incluem dores de cabeça, fadiga, calafrios, febre, mal-estar e dores musculares.

O Instituto Paul Ehrlich da Alemanha praticamente não detectou efeitos colaterais inesperados nas três vacinas aprovadas, disse Spahn. O instituto está monitorando a reação a todas as vacinas para saber se correspondem ao que foi observado nos ensaios clínicos. Um relatório será divulgado na quinta-feira, disse uma porta-voz por e-mail.

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