Troca de comando na Petrobras e ações despencando: é hora de comprar ou vender? Como ficam BB e Eletrobras?

SÃO PAULO – As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) apresentam queda de 17,92% às 15h10 desta segunda-feira (22). A desvalorização repercute o anúncio feito na última sexta (19) de que o governo federal indicou o general Joaquim Silva e Luna para assumir a presidência da estatal, em substituição a Roberto Castello Branco.

A indicação foi recebida como uma bomba pelo mercado. O resultado: em dois dias de pregão, as ações da Petrobras já caíram cerca de 25%, e a perda acumulada em valor de mercado é de quase R$ 100 bilhões.

Como a estatal representa algo em torno de 10% do Ibovespa (IBOV), o índice também refletiu a indicação para uma mudança no comando da empresa. O Ibovespa apresenta queda de 3,94% às 15h10 desta segunda-feira.

O InfoMoney preparou um Radar especial para explicar o que aconteceu com a estatal e como o mercado está avaliando esse cenário. O Radar trouxe especialistas no assunto, como Gabriel Francisco, analista de petróleo da XP, e Bruno Musa, sócio da Acqua Investimentos.

Confira o conteúdo completo acima, ou veja os destaques abaixo:   

É hora de comprar ou vender Petrobras?

A percepção de risco para as ações da Petrobras, que já estava alta por conta das críticas do presidente Jair Bolsonaro ao reajuste de combustíveis e ao CEO da estatal, aumentou ainda mais, com os ADRs (ações negociadas na Bolsa de Nova York) operando com queda de mais de 15%. Diversas casas de análise já reduziram a sua recomendação para os papéis da companhia.

A XP Investimentos, por exemplo, rebaixou a recomendação para as ações da Petrobras para “venda” e o preço-alvo de R$ 32 para R$ 24, justamente pelo cenário incerto e pelos grandes riscos por quais a empresa está passando – não só do ponto de vista de governança, mas também em relação à geração futura de resultado, conforme explicou Francisco, analista de petróleo da XP.

“O que acontece é: sem uma política de preços de combustíveis funcional, a empresa pode passar por uma deterioração de resultados, abaixo dos anteriores – e isso pode ficar visível principalmente com a divulgação de dados do primeiro trimestre de 2021. Na nossa visão, a tese da empresa mudou completamente, […] a sinalização vinda do governo não é positiva em relação à manutenção da política de preços”, afirmou.

Francisco acrescentou que, com preços do petróleo subindo e o real se depreciando em relação ao dólar, a defasagem dos combustíveis no mercado local não para de aumentar. “Após o último reajuste de Castello Branco, a defasagem estava em 7% no caso do diesel, agora passou para 10%. A incerteza é alta. Na nossa visão, não faz mais sentido investir na empresa. […] Vale lembrar que eventos como esse fazem parte do jogo. […] Mas não avalie continuar como um investidor de médio e longo prazo na Petrobras, o grande ponto é: o ambiente em que a empresa está inserido não é bom e é improvável que melhore no curto prazo”, diz.

Como o mercado entende uma interferência do governo?

Para Musa, da Acqua Investimentos, o grande problema é a eventual interferência do governo nas estatais. “Falando especialmente da Petrobras, a empresa vinha de um processo de desinvestimento, de vendas de suas subsidiárias. A empresa deve apresentar um lucro muito forte nesta semana. Ou seja, a empresa vinha com uma gestão extremamente ativa e eficiente depois de muitos anos de destruição da empresa, apenas para passarmos agora a ter a ingerência do governo federal dentro da empresa. O que a gente vê é a empresa perdendo valor de mercado. Só na sexta-feira (22) antes do anúncio, a empresa já havia perdido R$ 28 bilhões. Somando o pregão desta segunda, a perda sobe para quase R$ 100 bilhões. Isso já mostra como o mercado vê uma interferência”, afirmou.

Musa ressaltou que, apesar dessa mudança na gestão da Petrobras ser preocupante, ela não aprofunda por si só o quadro fiscal apertado. “O problema fiscal já existe e temos que lidar com ele há muito tempo. É um número. Precisamos diminuir nossas despesas para que o quadro fiscal melhore. Esse [saída de Castello Branco] é um problema a mais para lidarmos no momento. Parece que a gente está procurando mais um problema – e deu certo”, diz Musa.

O que esperar das outras estatais?

Durante o último fim de semana (20 e 21 de fevereiro), após dizer que decidiu afastar Roberto Castello Branco porque os reajustes dos preços dos combustíveis este ano foram uma “covardia”, o presidente prometeu agir também no mercado de energia elétrica. “Vamos meter o dedo na energia elétrica, que é outro problema também”, afirmou.

Bolsonaro afirmou que, se a imprensa estava preocupada com a mudança da Petrobras, haverá outras. “A gente vai fazendo as coisas, vai mudando, vai melhorando. Eu não tenho medo de mudar, não. Semana que vem deve ter mais mudança aí para… E mudança comigo não é de bagrinho, não, é tubarão”, disse o presidente. Ele não disse qual “peixe grande” do governo pode deixar o cargo, mas há especulações de que o foco mais forte pode recair sobre o Banco do Brasil e seu atual presidente André Brandão.

A declaração do último final de semana trouxe mais reações do mercado. Musa entende que esta segunda é “o dia do pânico”, com as estatais caindo muito – e, como representam quase 15% do Ibovespa, também causaram desvalorização do índice. “Mas a Petrobras, representando 10%, ainda tem mais peso para o Ibovespa”, diz.

Além disso, Musa afirma que essa não é a “primeira pitada intervencionista” que o mercado já viu e cita o Banco do Brasil. “Muitas estatais passam por um dia ruim, com o fluxo [negativo]. E, por mais que ele [Bolsonaro] não tenha exclusivamente mencionado o Banco do Brasil, um tempo atrás, se lembrarmos bem, já foi feita uma tentativa de condução para retirar ou mandar embora o André Brandão da presidência do banco. [A interferência] É um efeito dominó que vai tomando conta das estatais e também do mercado”, afirma.

As ações da Eletrobras (ELET6) caíam 3,14% às 15h10 desta segunda-feira, enquanto os papéis do Banco do Brasil (BBAS3) tinham queda de 11,18%.

 

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