SP prorroga fase de transição até 14 de junho; vacinação para pessoas entre 45 e 54 anos começa em agosto

SÃO PAULO – João Doria, governador de São Paulo, anunciou nesta quarta-feira (26) que o estado vai ampliar até dia 14 de junho a fase de transição que está em vigor. “Vamos manter por mais duas semanas a fase de transição nos mesmos moldes que estamos vivenciando hoje. Atividades comerciais até as 21h e com no máximo 40% de ocupação”, disse Doria, em coletiva realizada nesta quarta-feira (26) no Palácio dos Bandeirantes.

Estava prevista uma expansão das atividades e flexibilização de circulação a partir de 1° de junho, mas o governo recuou porque não foi observada uma melhora significativa em casos, internações e mortes.

O governo estadual também atualizou o cronograma de vacinação de pessoas por faixa etária, além de anunciar as datas de vacinação de trabalhadores de aeroportos e portos. A partir de 2 de agosto, pessoas entre 45 e 54 anos serão vacinadas. A partir desta sexta (28), os trabalhadores citados.

Fase de transição estendida por alta nos casos

A Fase de Transição, que teve início em 17 de abril, foi ampliada para até 14 de junho. Atividades comerciais e religiosas e também serviços gerais – como restaurantes, salões de beleza, atividades culturais e academias – podem funcionar entre 6h e 21h todos os dias da semana. Porém, todos os estabelecimentos devem seguir os protocolos sanitárias e receber no máximo 40% da sua capacidade total. Parques municipais e estaduais seguem liberados para funcionar entre apenas 6h e 18h. O toque de recolher continua valendo, entre 21h e 6h (saiba mais aqui).

Paulo Menezes, coordenador do centro de contingência, explicou que o governo entendeu que esse não é o momento de avançar na retomada. “Estendemos o prazo em 15 dias. Houve uma aumento de novos casos: de 370 por 100 mil habitantes na última quarta-feira [19], para 418 por 100 mil habitantes hoje [26]. Além disso, também observamos aumento nas internações, de 72 por 100 mil habitantes para 77 por 100 mil habitantes. Continuamos tendo a circulação alta do vírus com novos casos e novas infecções e devemos manter as regras que estão valendo hoje por segurança”, explicou.

Jean Gorynchteyn, secretário de saúde do governo estadual, ressaltou que estamos na 21ª semana epidemiológica deste ano e, no total, São Paulo tem um total de 3.226.875 casos e 109.241 mortes.

A taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no estado está em 80,6%, cerca de 3% acima do que o observado em 12 de maio. São 10.545 pessoas internadas. Na Grande São Paulo está em 77,6%, em torno de 1,5% acima do visto há duas semanas.

Menezes acrescentou que a recomendação é objetiva: uso de máscaras e distanciamento social seguem como as formas mais efetivas de evitar o vírus enquanto não há vacinas. “Há uma expectativa de que, no início de julho, devemos ter uma melhora progressiva nos principais números da Covid-19”, disse.

Vacinação contra Covid-19

Durante a coletiva, o governo também detalhou mais uma etapa do cronograma de vacinação no estado. A partir desta sexta-feira (28), trabalhadores de aeroportos começam a ser vacinados. Serão cerca de 19 mil pessoas, que trabalham nos aeroportos de Congonhas (São Paulo), de Cumbica (Guarulhos) e de Viracopos (Campinas). Na terça-feira (1), será a vez de trabalhadores do Porto de Santos, que são cerca de 21 mil pessoas.

Regiane de Paula, coordenadora geral do programa estadual de imunização, ressaltou, no entanto, que a quantidade de doses disponíveis hoje não será suficiente para vacinar completamente o público de 40 mil pessoas citado acima.

“As doses que temos de vacinas não serão suficiente para vacinar esses grupos por completo. Iniciaremos com 19 mil pessoas em 28 de maio, mas precisamos de mais doses. Estamos fazendo um apelo ao governo federal para que envie as doses referentes a São Paulo das vacinas disponíveis. Fazemos o calendário sempre considerando a projeção de doses”, afirmou.

O governo também explicou que, a partir de 2 de agosto, iniciará a vacinação por faixa etária de pessoas entre 45 e 54 anos, que representa um público total de 3,6 milhões de pessoas.

Na semana passada, o governo já havia informado que no dia 21 de maio (última sexta) seria a vez de vacinar pessoas com comorbidades que tenham entre 45 e 49 anos de idade. Pessoas com deficiência permanente na mesma faixa etária começaram a ser imunizadas contra Covid-19 no mesmo dia. No dia 28 de maio, serão vacinadas as pessoas com 40 a 44 anos de idade com comorbidades e deficiências.

A vacinação por faixa etária será retomada em 1º de julho, quando serão vacinadas pessoas que tenham entre 55 e 59 anos de idade. Essa etapa de vacinação deve durar entre o dia 1º e o dia 20 de julho. De 21 a 31 de julho, será a vez dos profissionais da educação entre 18 a 46 anos de idade. Segundo Doria, o plano é retomar aulas no segundo semestre deste ano.

Veja uma tabela com as informações mais recentes e atualizadas: 

Datas  Público que vai ser vacinado 
14 de maio Pessoas com comorbidades e Pessoas com deficiência entre 50 e 54 anos
17 de maio Grávidas e puérperas acima de 18 anos
21 de maio Pessoas com comorbidades e Pessoas com deficiência entre 45 e 49 anos
28 de maio Pessoas com comorbidades e Pessoas com deficiência entre 40 e 44 anos
Trabalhadores de aeroportos (Congonhas, Cumbica e Viracopos)
1º de junho Trabalhadores de portos (Santos)
1° de julho Pessoas entre 55 e 59 anos
21 de julho Profissionais da educação entre 18 e 46 anos
02 de agosto Pessoas entre 50 e 54 anos
17 de agosto Pessoas entre 45 e 49 anos

Eventos e testes rápidos

Durante a coletiva, o governo estadual também anunciou que, a partir de 15 de junho, iniciará uma série de dez eventos pilotos no estado com limitação de público, entrada controlada e testes rápidos. “Os eventos vão funcionar como experiências para adquirirmos mais conhecimento, a fim de conseguir organizar uma retomada no futuro”, disse.

Serão quatro eventos sociais na primeira quinzena de junho: uma feira de negócios nos dias 29 e 30 de junho, e duas feiras criativas entre 3 e 17 de julho e 3 e 18 de julho. Haverá três festas a partir de 15 de junho.

João Gabbardo, coordenador executivo do centro de contingência, destacou “a ideia é ir, aos poucos, substituindo uma metodologia de abrir e fechar segmentos por uma monitoração mais inteligente, como a ampliação de testagem rápida para que seja possível identificar quem é portador do vírus, reportar o caso e isolar o paciente de forma mais eficiente para que assim seja possível diminuir a transmissibilidade da doença”. Os eventos serão uma forma de testar essa nova metodologia.

O estado comprou 1 milhão de testes para ampliar a testagem em São Paulo, que serão distribuídos aos 645 munícipios a partir de hoje. “Precisamos saber dos riscos e aprender como fazer essa abertura pensando em flexibilizações futuras”, reiterou Gabbardo.

ButanVac

Doria fez mais um apelo à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em relação à ButanVac, vacina contra a Covid-19 produzida 100% pelo Butantan.

“Estou pedindo o senso de urgência juntamente com o senso de responsabilidade. Precisamos da aprovação da Anvisa para iniciarmos os testes. Temos 6,8 milhões de doses prontas, até o fim de julho teremos 18 milhões e até o fim de outubro teremos 40 milhões de doses. Demos andamento na produção porque temos confiança de que a vacina é segura e será aprovada. Mas precisamos desse senso de urgência para agilizar o processo”, disse o governador.

O InfoMoney já fez uma matéria detalhando como a Butanvac funciona (veja aqui).

Variante Indiana

Sobre a nova variante indiana, que foi confirmada em São Paulo, Gorinchteyn explicou que ao longo dos últimos dias a secretaria de saúde vem acompanhando as variantes e vem fazendo tratativas com a Anvisa e municípios e seus portos e aeroportos na tentativa de achar alternativas para conter o vírus que está entrando por essas portas.

“A Anvisa está realizando testes antes mesmo de os indivíduos vindos da Índia tenham contato com outros passageiros. Se os testes vierem positivos os pacientes serão colocados em isolamento imediatamente”, disse (saiba mais sobre o assunto aqui).

CPI da Pandemia

Questionado por jornalistas sobre sua presença na CPI, Doria afirmou que não foi solicitada sua presença, por ora, mas que se for chamado irá e aproveitou para fazer mas uma menção ao governo de Jair Bolsonaro.

“A prioridade da CPI é para governadores que tenham tido investigações da Polícia Federal. São Paulo não teve, afinal não temos irregularidades no estado. Mas quero deixar claro que se eu for convocado para CPI lá estarei. Mas deixo claro para governistas e bolsonaristas: falarei a verdade e vai piorar a situação daqueles que após meu depoimento serão classificados ainda mais fortemente como negacionistas”, disse o governador.

Ainda, ele ressaltou que São Paulo já está contribuindo oferecendo informações à CPI desde o início do processo. “E vamos contribuir mais com a presença de Dimas Covas, presidente do Butantan, que estará na CPI amanhã às 9h pelo tempo que for necessário prestando informações e fazendo esclarecimento à CPI”, destacou.

Na avaliação de Doria, a CPI está sendo bem conduzida. “Vem sendo firme com quem lá comparece e mantendo um nível de isenção adequado do ponto de vista eleitoral e focada na questão primordial que é a identificação de falhas na conduta da pandemia”, finalizou o governador.

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