Resultados de Petrobras e Vale, PIB dos EUA, IPCA-15 e anúncio de Biden: o que acompanhar nesta semana

SÃO PAULO – Apesar da questão do Orçamento deste ano ficou ter sido resolvida, o Ibovespa não conseguiu manter o desempenho positivo e registou sua primeira semana de queda desde março, com um novo risco vindo dos Estados Unidos e que será um dos focos de atenção nesta semana.

Na quinta os mercados caíram forte após a notícia, inicialmente apresentada apenas pela Bloomberg, de que o presidente Joe Biden irá anunciar um aumento do impostos sobre ganhos de capital para 39,6%, o que, juntamente com uma sobretaxa existente sobre a renda de investimentos, significaria que as taxas de impostos federais para investidores podem chegar a 43,4%. O imposto atual é de 20%.

Jornais americanos apontam ainda que a nova taxação se aplicaria a retornos sobre ativos mantidos em contas tributáveis ​​e vendidos após mais de um ano. Desde então os investidores seguem alertas na expectativa pelo anúncio, que deve ocorrer nos próximos dias.

Por aqui, o cenário político segue no centro das atenções ainda com questões fiscais gerando preocupação, apesar da sanção do Orçamento 2021. Enquanto isso, o ritmo da vacinação e os casos de infecção pelo coronavírus mantêm o mercado em alerta sobre o ritmo de recuperação da economia nacional.

Resultados e IPOs

O calendário corporativo também estará bastante agitado nesta semana, com a temporada de resultados do primeiro trimestre se tornando um dos principais drivers para as ações nos próximos dias.

Serão mais de 20 balanços divulgados entre segunda e sexta, com algumas das maiores empresas da bolsa apresentando seus números, caso da Vale (VALE3) na segunda, Santander Brasil (SANB11) na quarta e Embraer (EMBR3), Gol (GOLL4) e Petrobras (PETR3; PETR4) na quinta.

Entre as ofertas públicas iniciais de ações (IPOs), a semana também está recheada. São nove estreias na bolsa marcadas até o momento, com destaque para a Caixa Seguridade na quinta-feira. Vale destacar que muitas empresas têm adiado ou suspendido as ofertas então é possível que o calendário mude nos próximos dias.

Para os interessados em ativos digitais, nesta segunda ocorre também o início das negociações do primeiro ETF de criptomoedas do país, o Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice, da gestora Hashdex. Após levantar R$ 615,25 milhões em sua emissão primária, o ativo será negociado com o ticker HASH11 na B3.

Agenda de indicadores

Entre os indicadores, os Estados Unidos serão foco das atenções do mercado a partir de quarta. Primeiro, no dia 28 ocorre a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), com a decisão sobre juros do país.

A expectativa é de manutenção das taxas, mas investidores e analistas estão sempre de olho ao comunicado e ao discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, logo em seguida, tentando conseguir detalhes sobre a visão da autoridade americana em relação aos próximos passos que serão tomados.

Na quinta, por sua vez, será apresentado o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre dos EUA, com projeção de uma alta de 6,5% na comparação anual, segundo dados compilados pela Refinitiv. No trimestre passado, a alta foi de 4,3%.

Já no dia 30, saem os números da inflação ao consumidor e de renda dos americanos. Os dois dados são importantes no acompanhamento da recuperação econômica do país e qualquer movimento fora do esperado pode levar à mudanças nas sinalizações dadas pelo Fed sobre sua política monetária.

Ainda no exterior, a semana conta com dados da indústria na China na noite de segunda, enquanto na Zona do euro será divulgado o PIB na manhã de quinta-feira.

Por aqui a semana também é bastante movimentada. Na terça-feira será apresentado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial do Brasil.

Para os analistas do Bradesco, o dado deve apresentar alta de 0,72%, ante avanço de 0,93% no mês anterior, pressionado por preços administrados (combustíveis, gás de cozinha e medicamentos), e alimentos, que devem voltar ao campo positivo.

Já na quinta sai o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de abril, que para o Bradesco deve ter desaceleração, puxado por preços de produtos agropecuários e industriais.

Por fim, na sexta é esperado que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga a taxa de desemprego do país, que deve seguir aumentando. Segundo dados compilados pela Refinitiv, o desemprego deve chegar a 14,5%, contra taxa de 14,2% em fevereiro.

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