ONS mapeia potencial de usinas do País

Com o volume escasso de água nos principais reservatórios do País, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decidiu fazer uma varredura em cada usina térmica instalada e em operação, para saber exatamente com o que poderá contar, a fim de afastar riscos de apagão e racionamento de energia.

Na segunda-feira, a diretoria do ONS, que é o órgão responsável por fazer a gestão diária do abastecimento elétrico nacional, distribuiu documento a 40 empresas do setor elétrico que possuem usinas térmicas movidas a gás, óleo diesel, biomassa e carvão. Na lista estão empresas como Petrobrás, Engie e Neoenergia, além das estatais do grupo Eletrobrás.

No documento, ao qual a reportagem teve acesso, o ONS pede que, até a próxima segunda-feira, cada empresa informe quais são as usinas térmicas que cada empresa possui, com detalhamento semanal ou diário de seus cronogramas de manutenção e operação previstos até dezembro de 2021.

“Considerando o final do período chuvoso nas principais bacias integrantes do SIN (Sistema Interligado Nacional) e os baixos níveis de armazenamento alcançados nos principais reservatórios de regularização, torna-se imprescindível a maximização da disponibilidade de geração térmica para garantir o atendimento eletroenergético”, escreveu a diretoria do ONS, no documento enviado às empresas.

No último período chuvoso, iniciado no fim de novembro e encerrado em abril, faltou cair água nas cabeceiras de rios do País. Se há ocorrência de água abundante nessas áreas, todo o sistema hidrelétrico passa a ser irrigado. Quando as chuvas não ocorrem, porém, as usinas rio abaixo ficam prejudicadas.

No documento enviado às empresas, o ONS alerta que, considerando o potencial de geração de energia hidrelétrica acumulado entre setembro de 2020 e maio deste ano, esta “configurou-se como a pior condição hidrológica” de todo o histórico de vazões em 91 anos de medição (desde 1931).

Segurança energética

A necessidade de o País recorrer às térmicas para garantir o abastecimento elétrico deve-se à possibilidade de assegurar um volume específico de geração, diferentemente do que acontece com as demais fontes do País.

Usinas hidrelétricas, eólicas e solares dependem, fundamentalmente, de condições naturais. Se não há água, vento e luz solar, não existe geração. Acrescenta-se a isso o fato de que a energia deve ser consumida no momento em que é gerada, ou seja, não pode ser armazenada para ser usada em outro momento. Com as térmicas, porém, é possível gerenciar o volume e o tempo de produção. O preço dessa energia, no entanto, é bem mais alto – além de as usinas serem mais poluentes.

O Brasil conta hoje com 3.180 térmicas em operação, que respondem por 25% de toda a potência instalada de geração de energia do País. Diariamente, o ONS define o que deve ser acionado e aquilo que não será utilizado. Atualmente, a ordem é colocar as térmicas a plena carga e é isso o que tem ocorrido.

Na quinta-feira, por exemplo, 21% de toda a energia consumida no Brasil foi gerada por usinas térmicas, cuja funcionamento é baseado no aquecimento de água e produção de vapor, um processo que impulsiona a turbina e gera energia.

Ontem, conforme antecipou o Estadão/Broadcast, o governo divulgou um alerta de emergência hídrica para o período de junho a setembro em cinco Estados brasileiros: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. Todas as unidades da federação atingidas estão na bacia do Rio Paraná, polo de produção agropecuária e de grandes hidrelétricas.

Na região a situação é classificada como “severa” e a previsão é de pouco volume de chuvas para o período. É o primeiro alerta dessa natureza em 111 anos de serviços meteorológicos do País.

O documento foi divulgado de forma conjunta pelo Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden). As instituições reforçam que o cenário de emergência hídrica deve persistir até setembro.

Importação. Apesar da situação crítica em relação às represas, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, vem descartando a possibilidade de racionamento e apagão no País. Em audiência pública na Câmara dos Deputados, realizada em 11 de maio, ele reconheceu, no entanto, que será necessário atenção, além da adoção de medidas “excepcionais” para garantir o abastecimento. Desde outubro, além de ter acionado as usinas térmicas, o Brasil também tem importado energia da Argentina e Uruguai.

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