Governo de SP vai adquirir mais 20 milhões de doses da CoronaVac para imunizar toda sua população até fim do ano, diz Doria

SÃO PAULO – O governo de São Paulo anunciou nesta segunda-feira (8) que o Instituto Butantan está autorizado a adquirir mais 20 milhões de doses da CoronaVac para imunizar a população do estado na sua totalidade até o fim de 2021. A CoronaVac é a vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

Segundo João Doria (PSDB), governador de São Paulo, essas doses serão pagas com recursos de estado e não serão repassadas ao Ministério da Saúde para inclusão no Programa Nacional de Imunização (PNI). O governador ainda não esclareceu detalhes sobre a compra, como efetivação, prazo para entrega ou se tais doses serão produzidas em São Paulo ou importadas da China.

Na última sexta-feira (5), em entrevista à agência de notícias Reuters, o governador já havia sinalizado que a negociação dessas doses estava em andamento. Nesta segunda-feira, Doria confirmou a intenção em coletiva de imprensa realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

“Com essas 20 milhões de doses adicionais, temos a convicção de que todos os brasileiros em São Paulo irão receber a vacina até dezembro de 2021”, anunciou Doria durante a coletiva.

Ainda segundo Doria, não há nenhuma possibilidade de o governo federal requisitar essas doses adicionais para uso no PNI. O governador ainda explicou que essas doses não afetarão em nada o cronograma de entrega ao Ministério da Saúde, e serão doses adicionais para concluir a campanha de imunização no estado até o fim do ano.

“Vamos cumprir o contrato de 100 milhões [de vacinas] com o Ministério da Saúde. As 20 milhões são responsabilidade do governo do estado de São Paulo”, explicou Doria. O governador ainda disse que “tem a impressão” de que outros governadores devem realizar movimentos parecidos, para garantir a vacinação em seus respectivos estados.

“As vacinas que estão planejadas não atenderão a totalidade, por isso o govenador solicitou a procura de doses adicionais e é o que temos feitos com a Sinovac. Temos que lembrar que há um outro quantitativo, de 200 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, até o fim do ano. Se essas vacinas de fato chegarem, teremos imunizados mais de 150 milhões de brasileiros”, complementou Covas. A conta considera as 200 milhões de doses da vacina AstraZeneca/Oxford e as 100 milhões de doses da CoronaVac, em um regime de duas doses por pessoa.

“Até 31 de janeiro, conforme cronograma estabelecido com o contrato com o Ministério da Saúde, foram entregues 8,7 milhões de vacinas do Butantan para imunização dos brasileiros, das quais 6 milhões foram enviadas em 17/1, 900 mil em 22/1 e 1,8 milhão em 29/1. Nesta sexta-feira, dia 5/2, foram liberadas mais 1,8 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério), totalizando 9,8 milhões já entregues pelo Governo de São Paulo ao país”, afirmou o Butantan no último sábado (6) por meio de um comunicado.

Também no sábado, o Instituto Butantan retomou a produção das doses, depois da chegada dos insumos da China na noite da última quarta-feira (3). A previsão do Butantan é de que aproximadamente mais 8,6 milhões de doses sejam liberadas para imunização dos brasileiros a partir de 25 de fevereiro. Serão cerca de 600 mil doses liberadas por dia.

900 mil já foram vacinados em São Paulo

Ainda durante a coletiva, Doria anunciou que o estado atingiu a marca de 900 mil pessoas vacinadas em menos de um mês do início da campanha de vacinação do estado, iniciada no último dia 17 de janeiro.

Segundo os últimos números do Vacinômetro, ferramenta digital desenvolvida em parceria com a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) que permite a qualquer pessoa acompanhar em tempo real o número de vacinados no estado é um pouco inferior: foram 858.848 pessoas vacinadas em São Paulo até às 13h40 desta segunda-feira.

Na última sexta-feira (5), começou em São Paulo a segunda fase da imunização, voltada para idosos acima de 90 anos. Na primeira fase de imunização, apenas profissionais da saúde, indígenas, quilombolas e idosos que moram em asilos foram vacinados em São Paulo e no Brasil, seguindo as diretrizes impostas pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde.

Cidade de Serrana será totalmente vacinada

Durante a coletiva, Doria ainda afirmou que a cidade de Serrana, no interior do estado, será palco de um novo estudo do Instituto Butantan para coletar mais detalhes sobre os efeitos da CoronaVac. Para isso, o instituto espera imunizar toda a população adulta da cidade.

Segundo Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, esse estudo é totalmente inédito no mundo e espera analisar a eficiência do imunizante. Enquanto os estudos apresentados até então determinam a eficácia da vacina, ou seja, o nível de proteção que ela gera em relação à doença, o novo estudo do Butantan espera estimar qual será o efeito da campanha de vacinação em massa para a evolução da pandemia.

E, para isso, a pesquisa irá avaliar como o vírus deve se comportar ao longo das semanas na cidade de Serrana, acompanhando a continuidade da vacinação.

“Sete meses atrás, desenhamos um estudo de eficiência. O objetivo do estudo é testar o efeito da vacinação em massa no curso da pandemia. É algo que todos os países querem saber: o que vai acontecer com a pandemia quando temos mais pessoas vacinadas”, explicou Covas na coletiva desta segunda-feira. Com o estudo aplicado regionalmente, o Butantan pode ter uma ideia inicial de quais serão os resultados das campanhas de vacinação.

Ainda segundo Covas, o estudo deve ser iniciado no próximo dia 17. Ele prevê a vacinação de aproximadamente 30 mil pessoas maiores de 18 anos na cidade em até oito semanas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o município de Serrana possui 45.644 mil habitantes.

Ainda de acordo com Covas, mais detalhes sobre o estudo serão apresentados no próprio dia 17 de fevereiro. Até agora, o diretor anunciou que a cidade será dividida em quatro áreas. A população de cada uma delas será vacinada em datas diferentes, para comparar os efeitos da Coronavac nas regiões. As doses para a realização desse estudo, ainda segundo o presidente do Butantan, são algumas doses que sobraram dos testes clínicos de fase três realizados anteriormente. O quantitativo estimado para concluir o estudo é de aproximadamente 60 mil doses.

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