Drex entra em nova rodada de testes com foco em crédito, ativos digitais e comércio exterior

Por Redação Info Dinheiro 5 Min de leitura

O futuro da infraestrutura financeira brasileira será colocado à prova em uma nova rodada de experimentos coordenada pelo Banco Central. Até 29 de novembro de 2026, instituições autorizadas pelos órgãos reguladores, empresas e consórcios podem se inscrever para participar da segunda fase do Piloto Drex, voltada ao desenvolvimento de aplicações para operações financeiras digitais.

A iniciativa não significa que o Drex já esteja disponível para pagamentos cotidianos ou transferências feitas diretamente pelos consumidores. Segundo o Banco Central do Brasil, o piloto funciona como um ambiente de simulação e experimentação. Os testes são realizados por participantes institucionais, enquanto os usuários finais não atuam diretamente na plataforma.

O que será testado na segunda fase

A nova etapa foi organizada a partir das propostas recebidas pelo Banco Central. A página oficial do projeto informa que 42 propostas foram analisadas e deram origem a 13 temas selecionados para os experimentos. A seleção contempla aplicações relacionadas a operações financeiras, crédito, ativos digitais, comércio internacional e integração entre diferentes participantes do sistema.

Entre os grupos envolvidos no piloto estão bancos, cooperativas, empresas de tecnologia, provedores de infraestrutura financeira e organizações ligadas ao mercado de capitais. A participação desses diferentes segmentos permite testar como uma mesma infraestrutura pode conectar instituições com funções distintas e registrar operações digitais de forma coordenada.

Na prática, o foco está menos em criar uma nova forma de pagamento para o varejo e mais em verificar como tecnologias de registro distribuído podem ser usadas em transações financeiras complexas. Os testes também envolvem a possibilidade de programar determinadas etapas das operações por meio de contratos inteligentes e de utilizar representações digitais de ativos.

Drex e Pix têm funções diferentes

A existência do Drex não substitui o Pix nem representa uma nova versão do sistema de pagamentos instantâneos. O Pix é utilizado principalmente para transferências e pagamentos de varejo, enquanto o Drex está sendo desenvolvido como uma infraestrutura voltada a operações financeiras mais estruturadas, com ativos tokenizados, contratos inteligentes e liquidação programável.

Essa diferença é destacada pelo Relatório de Cidadania Financeira 2025, do Banco Central, que relaciona o Drex à digitalização de ativos e à modernização do sistema financeiro. Enquanto o Pix tornou mais simples e rápido o envio de dinheiro entre pessoas e empresas, o Drex busca testar estruturas para organizar e liquidar operações que envolvem contratos, garantias e diferentes tipos de ativos.

O que a iniciativa pode mudar para empresas e consumidores

Os resultados dos testes podem influenciar a forma como serviços financeiros serão estruturados no futuro. Para empresas, uma infraestrutura com recursos de programação e registro compartilhado pode ser aplicada a operações de crédito, negociação de ativos digitais e transações que envolvam participantes no Brasil e no exterior.

Para o consumidor, os efeitos tendem a aparecer de maneira indireta, por meio de produtos e serviços financeiros desenvolvidos posteriormente pelas instituições autorizadas. A segunda fase, porém, ainda não oferece acesso público ao Drex nem permite que qualquer pessoa abra uma carteira para utilizar a plataforma no dia a dia.

O desenho da etapa também mostra que a tecnologia ainda passa por avaliação antes de uma eventual adoção em escala. A participação de bancos, cooperativas, empresas de tecnologia e entidades do mercado de capitais serve para verificar a operação conjunta dos sistemas e a viabilidade de diferentes usos em um ambiente controlado.

Inscrições seguem até 29 de novembro

As inscrições para a segunda fase do Piloto Drex começaram em 14 de outubro e permanecem abertas até 29 de novembro de 2026. Podem apresentar propostas as instituições autorizadas pelos órgãos reguladores, além de empresas e consórcios interessados em desenvolver soluções dentro dos temas definidos para o projeto.

O prazo se refere à entrada de participantes na etapa de testes, e não ao lançamento comercial do Drex. Por enquanto, o projeto continua concentrado na avaliação técnica e operacional de aplicações financeiras digitais. A eventual oferta de serviços ao público dependerá da evolução do piloto e das decisões regulatórias posteriores.

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