Dados do varejo bem acima do esperado: o que os números mostram para as ações do setor?

Carrinho de compras em cima de um teclado de notebook com caixas de papelão dentro dele

SÃO PAULO – Na manhã desta terça-feira (8), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) com os dados referentes à performance de vendas do comércio varejista brasileiro em abril, trazendo números que surpreenderam positivamente os economistas.

As vendas do comércio varejista subiram 1,8% em abril de 2021 ante março, na série com ajuste sazonal, na maior alta para o mês desde 2000 e depois da queda de 1,1% em março. Na comparação com abril do ano passado, o volume de vendas no varejo cresceu 23,8%. A projeção, de acordo com consenso Refinitiv, era de alta de 0,1% na comparação com março e de alta de 19,8% na comparação com abril de 2020.

Em meio a esses dados positivos, as ações do setor varejista avançam na Bolsa nesta terça: o destaque de alta na sessão fica para a ação da Via (VVAR3), com ganhos de 3,69%, a R$ 15,19, por volta das 16h10 (horário de Brasília). Lojas Americanas (LAME4), B2W (BTOW3) e Magazine Luiza (MGLU3) avançavam entre 1% e 1,5% no mesmo horário. Já Cia. Hering (HGTX3) e Lojas Renner (LREN3), apesar de registrarem apenas leves ganhos, destoavam do dia negativo do Ibovespa após uma sequência de forte alta para o índice.

Entre os papéis que fazem parte do índice Small Caps, Lojas Marisa (AMAR3) disparava 7,6%, enquanto Petz (PETZ3) subia 2%, Arezzo (ARZZ3) avançava 2,9%, Guararapes (GUAR3) tinha alta de 2,65% e C&A (CEAB3)  subia 2,2%.

O chefe de pesquisa econômica do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos, destacou que as vendas contraíram no primeiro trimestre por causa da pausa no auxílio emergencial, aceleração da inflação e novas restrições de mobilidade e atividade em razão da intensificação da pandemia de Covid. “Com maior mobilidade e transferências fiscais renovadas, esperamos que o setor de varejo se recupere no segundo trimestre e se expanda ainda mais no segundo semestre, em conjunto com o progresso do programa de vacinação da Covid, a reabertura gradual da economia e o estímulo fiscal renovado”, apontou.

Já a XP ressaltou em relatório que, dentro dos segmentos de cobertura dos analistas, os principais destaques positivos foram as categorias de vestuário e calçados (alta de 14% na base mensal e de 301% na comparação anual, também levando em conta a base de comparação fraca com 2020), artigos farmacêuticos (alta de 0,9% na base mensal e de 34% na anual) e móveis e eletrodomésticos (alta de 25% ante março e de 71,4% frente abril de 2020).

As vendas do segmento de supermercados e hipermercados, por sua vez, registraram quedas de 1,5% na base mensal e de 1,6% na anual, frente ao forte desempenho no último mês e do último ano dado o movimento de estocagem dos consumidores durante o período de incerteza com a pandemia. As ações de varejistas de alimentos como Pão de Açúcar (PCAR3), Assaí (ASAI3) e Carrefour (CRFB3) registram queda entre 2% e 3% nesta sessão.

Danniela Eiger, Gustavo Senday e Thiago Suedt, analistas da XP, avaliam que, após um dado de abril já dando sinais de retomada, maio deve ser ainda melhor frente à aceleração da vacinação e retomada econômica.

Neste sentido, os analistas reforçam a visão construtiva com a categoria de vestuário e calçados. “Na nossa opinião, a categoria deverá ser uma das principais beneficiárias do movimento de reabertura e retomada da economia”, apontam.

Além disso, a demanda reprimida por roupas e a tendência de “compras por vingança” após meses de isolamento social são possíveis fatores positivos para os resultados das empresas nos próximos trimestres. “Finalmente, destacamos que as companhias do setor já sinalizaram um forte desempenho em maio, dando continuidade a esta tendência positiva frente ao avanço da vacinação”, avaliam.

Os analistas também destacam gostar da exposição ao setor de supermercados. O segmento seria uma opção interessante para se proteger de inflação, com preferência pelo segmento de atacarejo, pois ele (i) se beneficia da recuperação da demanda de pequenas empresas/negócios como bares, restaurantes e transformadores e (ii) deve capturar a mudança de canal dos consumidores, que buscarão por uma opção de melhor custo/benefício frente ao aumento de inflação e restrição de renda.

Já a sólida performance de artigos farmacêuticos reforça a resiliência do setor, a qual os analistas esperam que continue no curto prazo, enquanto veem o reajuste dos preços de medicamentos como um possível fator positivo para os resultados do setor.

Confira as recomendações e preferências da XP dentro do universo do setor de varejo:

(com Estadão Conteúdo)

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