Bolsonaro diz que conversou com Queiroga para suspender uso de máscaras contra Covid-19

SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro afirmou que conversou com Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, para que ele “ultime um parecer visando desobrigar o uso de máscara para os que estejam vacinados” contra Covid-19 ou que “já foram contaminados” pela doença.

Bolsonaro se referiu às máscaras contra Covid-19 como “um símbolo que, obviamente, tem a sua utilidade para quem está infectado”.

Em países como Estados Unidos e França, o uso da máscara se tornou obrigatório na época de avanço da pandemia, diante de evidências crescentes de sua eficácia quando utilizada de forma abrangente pela população. Um estudo preliminar publicado em junho de 2020 mostrou que países que não recomendaram o seu uso pela população tiveram aumento semanal médio de 55% no número de mortes per capita a partir do primeiro caso, comparado a uma alta de 7% nos locais em que a máscara é adotada, seja por meio de imposição dos governos ou por incorporação pela cultura local.

Vale lembrar que a máscara serve como uma barreira às partículas que são despejadas por pessoas contaminadas ao falar, tossir ou espirrar e que ficam suspensas no ar por algum tempo, especialmente em ambiente fechados e sem ventilação. Também evita que as pessoas toquem a boca e o nariz com mãos que podem estar contaminadas.

O presidente voltou a criticar medidas de restrição social impostas por governadores estaduais. Bolsonaro também diz que o critério adotado pela Saúde poderia “levar à prática não recomendável de uma super notificação de casos de Covid-19, para que governadores ganhassem mais recursos do governo federal”, creditando a análise a um suposto estudo do Tribunal de Contas da União (TCU) que já teria em mãos.

O presidente disse que caso esse estudo se confirmar sobre a super notificação, “o Brasil será um dos países com o menor número de mortes por milhão de habitantes por Covid-19”. Novamente, voltou a defender o tratamento precoce da doença por meio de hidroxicloroquina e ivermectina. “Por que isso aconteceu? Tratamento precoce.”

Os medicamentos são divulgados como potencialmente benéficos no combate à infecção pelo novo coronavírus pelo presidente, mas ainda não existem estudos conclusivos sobre o uso desses fármacos para o tratamento da doença. A Agência Nacional de Vigilância sanitária já verificou efeitos adversos na população brasileira, e desde o último ano proíbe a venda sem receita de hidroxicloquina e ivermectina, para impedir a compra indiscriminada.

O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Donizette Giamberardino Filho, afirmou em abril que “o Conselho Federal de Medicina não recomenda e não aprova tratamento precoce e não aprova também nenhum tratamento do tipo protocolos populacionais [contra a Covid-19]”.

Bolsonaro também associou o isolamento a problemas econômicos e de segurança. “A quarentena é para quem está infectado, não é para todo mundo. Porque isso destrói empregos, mata de outra forma o cidadão. Mata de fome, de depressão, aumenta a violência em casa, aumenta o abuso contra a criança.”

A medida foi anunciada durante coletiva nesta quinta-feira (10) no Palácio do Planalto. Bolsonaro discursava com Gilson Machado, ministro do Turismo, sobre atração de investimentos, modernização da sinalização turística e desburocratização.

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