Mulheres em finanças precisam pedir para serem promovidas

Muito menos mulheres do que homens são promovidas no setor financeiro, a menos que peçam antes por uma promoção, segundo um novo estudo na Austrália.

A pesquisa com 2 mil profissionais do setor financeiro mostrou que 76% dos homens receberam uma oferta de promoção pelo menos uma vez sem solicitá-la, em comparação com 57% das mulheres. O estudo foi compilado por pesquisadores da Ardea Investment Management e Universidade Nacional Australiana em conjunto com especialistas do setor.

As descobertas fornecem “evidências dessa cultura de que as coisas chegam aos homens sem pedir”, disse Bronwen Whiting, que trabalhou na pesquisa e é professora sênior de estatística aplicada na universidade. “Não pode tudo depender das mulheres agirem de forma diferente para consertar isso.”

A Austrália está entre os países que podem alegar certo sucesso no combate à desigualdade de gênero. Por exemplo, um relatório da consultoria Kearney neste ano mostrou que a Austrália supera o Reino Unido, os EUA e a Índia na proporção de mulheres parlamentares e nos conselhos das 100 maiores empresas.

No entanto, os resultados da última pesquisa mostram disparidades constantes, incluindo o fato de que gestores de fundos ganham, em média, mais que o dobro do que as mulheres.

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Analistas de pesquisa quantitativa do sexo masculino recebem 43% a mais do que as mulheres, e os homens em funções de conformidade receberam um adicional de 76%, com base nos dados de 2019. Dados oficiais da Austrália estimam a desigualdade salarial geral entre homens e mulheres em 14%. No Reino Unido, a diferença em serviços financeiros é bem superior a 20%, de acordo com análise de dados governamentais.

O estudo da Ardea-Universidade Nacional Australiana revelou que as mulheres pediam aumentos salariais e promoções na mesma proporção que os homens e, quando o faziam, não havia diferença entre os sexos em termos de conseguir recebê-los. No entanto, a lacuna apareceu quando as empresas tomaram a iniciativa em relação às promoções.

“Um dos argumentos apresentados para explicar por que as mulheres recebem menos é que concordamos muito”, disse Laura Ryan, responsável de pesquisa da Ardea, com sede em Sydney. “Parece que estamos sendo assertivas, mas, se não formos, definitivamente perdemos. O gênero é um fator muito significativo na determinação do salário”, afirmou em entrevista.

Teto de vidro e desigualdades salariais devido ao gênero continuam sendo problemas globais persistentes no setor financeiro. No geral, as mulheres também enfrentam risco desproporcional de perder o emprego na esteira da pandemia, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

As mulheres já estavam ficando para trás em termos de economizar para a aposentadoria em comparação com os homens por causa da desigualdade existente, e as consequências da Covid-19 podem agravar o problema, disse Ryan.

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