Privacidade ganha peso nos testes previstos para o Drex em 2026

Por Redação Info Dinheiro 5 Min de leitura

A próxima etapa de testes do Drex deverá exigir das instituições participantes mais do que uma proposta tecnológica. O Banco Central incluiu no regulamento da segunda fase do projeto a necessidade de detalhar mecanismos de privacidade, impactos para o sistema financeiro e possíveis impedimentos legais ou regulatórios relacionados às aplicações apresentadas.

O chamamento público foi aberto com a publicação do regulamento pelo Banco Central do Brasil. As inscrições poderão ser feitas entre 14 de outubro e 29 de novembro de 2026. Nesse período, instituições que atuem no mercado financeiro e tenham condições técnicas e operacionais poderão enviar propostas de casos de negócio para avaliação da autoridade monetária.

O que será avaliado na nova etapa

As propostas deverão envolver aplicações próprias com smart contracts, estruturas digitais capazes de organizar regras e etapas de uma operação. Os projetos poderão contemplar emissão, resgate ou transferência de ativos, além da simulação dos fluxos financeiros associados às negociações realizadas na plataforma.

Na prática, o Banco Central pretende observar como diferentes modelos de uso podem funcionar em um ambiente financeiro digital integrado. A análise não ficará restrita à demonstração técnica: os participantes também deverão apresentar os efeitos esperados para o sistema financeiro e explicar quais cuidados serão necessários para proteger as informações envolvidas.

O regulamento ainda exige que sejam apontados eventuais obstáculos legais ou regulatórios. A previsão coloca a conformidade no mesmo nível de importância da inovação, especialmente em operações que possam envolver dados financeiros, registros de ativos e movimentações entre participantes autorizados.

Privacidade será parte central dos projetos

Os participantes terão de descrever os mecanismos de privacidade necessários para cada caso de uso. A exigência inclui a consideração da Lei Geral de Proteção de Dados, do sigilo bancário e de outras normas aplicáveis às operações financeiras.

Esse ponto é relevante porque uma infraestrutura compartilhada precisa permitir a validação das transações sem expor informações além do necessário. A forma como os dados serão acessados, protegidos e utilizados deverá fazer parte do desenho de cada proposta, conforme o tipo de ativo e o fluxo financeiro simulado.

O tema aparece dentro do próprio escopo de evolução do projeto. Na página de notícias dedicada ao Drex, o Banco Central reúne as atualizações institucionais sobre a plataforma e seus testes. A nova convocação, portanto, amplia a discussão sobre como aplicações digitais podem ser desenvolvidas dentro das regras do sistema financeiro brasileiro.

Mais casos poderão ser selecionados

Uma diferença em relação à primeira fase é que o Banco Central não estabeleceu inicialmente um limite predeterminado para a quantidade de casos selecionados. O número final dependerá do volume de propostas recebidas e da capacidade técnica e operacional da autoridade monetária para conduzir os testes.

A mudança permite que a segunda fase seja dimensionada de acordo com a qualidade e a diversidade dos projetos apresentados. Entre os possíveis campos de aplicação estão operações relacionadas a crédito, financiamento, mercado de capitais, registro de ativos e liquidação, desde que os modelos sejam descritos pelas instituições e atendam aos critérios do chamamento.

Podem participar instituições que atuem no mercado financeiro e apresentem condições de testar os modelos propostos. Isso significa que a seleção dependerá tanto da pertinência do caso de negócio quanto da capacidade de execução, dos controles de privacidade e da adequação às normas aplicáveis.

Testes não significam lançamento imediato

A abertura da segunda fase não representa, por si só, o lançamento comercial do Drex ou a disponibilidade ampla de uma moeda digital para a população. Trata-se de uma etapa de desenvolvimento e avaliação, voltada a verificar como novas aplicações podem funcionar em uma plataforma baseada em ativos digitais e contratos automatizados.

Para o público, o principal efeito imediato é acompanhar a evolução de uma infraestrutura que poderá ser usada em diferentes operações financeiras, mas que ainda depende de testes, validações técnicas e análise regulatória. A participação de instituições privadas também permite ao Banco Central observar desafios que podem surgir fora de ambientes experimentais mais restritos.

As propostas deverão ser enviadas dentro do prazo estabelecido, de 14 de outubro a 29 de novembro de 2026. Depois disso, a seleção estará condicionada ao conjunto de projetos recebidos e à capacidade do Banco Central de conduzir a nova etapa. Os resultados dos testes poderão ajudar a identificar quais aplicações apresentam viabilidade técnica, segurança e compatibilidade com as regras do sistema financeiro.

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